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17/12/2009 - Segurança reforçada em condomínios nas férias
A segurança nos condomínios precisa ser ainda mais reforçada no período de férias. Isso porque grande parte dos condôminos viaja, outros recebem a visita de parentes e também aumenta o número de crianças nas partes comuns dos edifícios - motivos para maior atenção de moradores, síndicos e funcionários.

Segundo o vice-presidente do Secovi-SP, Hubert Gebara, nesse período, é preciso cuidado para que a unidade e o condomínio não fiquem vulneráveis. "O estado de alerta tem que ser permanente por parte dos funcionários, moradores e das polícias Civil e Militar", diz Gebara. Ele orienta os síndicos a evitar férias de funcionários nesse período para não desfalcarem a equipe.

É importante verificar se os sistemas de segurança e alarme estão funcionando. Outra dica importante: não dar informações a ninguém sobre quem está viajando e o período de ausência.

Gebara defende a integração de condomínios vizinhos, medida que contribui para dificultar a ação de bandidos.

De acordo com o consultor em Segurança Predial do Secovi Rio, Raimundo Castro, 98% dos assaltos em condomínios estão relacionados a oportunidade ou facilidade de acesso: "Sistema de segurança é para as pessoas verem que o condomínio está sendo preventivo. Isso inibe a prática do crime". Castro ressalta que hoje em dia é possível viajar e monitorar o apartamento por meio da Internet. "Basta instalar câmeras em ambientes estratégicos, como a porta de entrada", explica.

Para quem não pode ter o modelo, a dica é adotar medidas que parecem simples, mas inibem a invasão. "Quando for viajar, não deixe luzes acesas. Quem está em casa não fica com a lâmpada ligada o dia todo", diz. Castro explica que a portaria ideal precisa ter o ambiente enclausurado, com portas intertravadas - uma porta só abre quando a outra fecha.

Hoje, já existem prédios com abertura de portão biométrica (leitura da impressão digital). Um exemplo é o Residencial Elegance, lançamento da Calçada em Duque de Caxias, com sistema de biometria digital nas portas dos apartamentos, o que dispensa o uso das chaves.

Para Alfredo Lopes, diretor da Protel, que administra condomínios, o monitoramento eletrônico já faz parte da maioria dos projetos imobiliários. "O modelo é cada vez mais adotado por prédios que já estão prontos", garante.

O morador também deve tomar alguns cuidados. Entre eles, deixar as chaves com parente ou amigo, de preferência que não more no local, e informar o telefone dessa pessoa ao zelador ou síndico; fechar registros de água e gás; e desligar o quadro geral de luz. Também não esqueça de trancar portas e janelas e suspender a entrega de jornais e revistas.

Dicas para porteiros

Garagem

Identifique sempre as pessoas que estão no interior dos veículos que acessam a garagem. Solicite que os vidros dos carros sejam abertos.

Discrição

Nunca comente com estranhos, familiares ou conhecidos as instruções e rotinas de seu trabalho. Ao entrar ou sair de seu turno de trabalho, certifique-se de que não está sendo observado ou seguido.

Visitantes

Não permita que pessoas estranhas se aproximem o suficiente para imobilizá-lo. Também não é seguro que outros acessem o prédio, mesmo familiares, sem que sejam previamente autorizados pelo morador. Visitantes e prestadores de serviço devem permanecer no lado externo do edifício. O contato deve ser pelo interfone.

Moradores

Não informe quem são os moradores, nem fale sobre seus hábitos e bens patrimoniais.

Equipamentos

Não forneça informações sobre a estrutura física do prédio e nem sobre equipamentos instalados. Lembre-se de que a ação criminosa é sempre planejada e que os bandidos se aproveitam de distrações.

Câmera escondida até em ursinho

Equipamentos de segurança eletrônica estão cada vez mais sofisticados, como câmeras ocultadas em porta-retratos e ursos de pelúcia. Mas é preciso treinar profissionais dos condomínios para operá-los e adotar medidas simples para que não sejam pegos de surpresa. Um dos fatores que deixam os edifícios mais vulneráveis são os serviços de entrega "delivery", como farmácia, supermercado, entre outros.

Segundo o consultor de Segurança Predial do Secovi Rio, Raimundo Castro, alguns prédios já utilizam o passador de objetos. "O modelo é usado em São Paulo, mas ainda não decolou no Rio, porque os moradores não querem descer para buscar a entrega e nem pagar para ter um mensageiro. Isso oneraria o condomínio. Fiz um projeto para um edifício de cinco apartamentos na Lagoa. Lá, contrataram um mensageiro para levar a mercadoria do passador de objeto até os apartamentos", explica Castro.

A diretora do Siese-RJ (Sindicato das Empresas de Sistemas Eletrônicos de Segurança do Estado do Rio de Janeiro), Denise Mury, explica que já existem sistemas para controlar o acesso aos condomínios. "A portaria cadastra o prestador de serviço ou o entregador e define um período de permanência no prédio. Se o tempo estourar, o alarme dispara na portaria. Nesse momento, o funcionário interfona para a unidade e verifica se está tudo em ordem. Em seguida, monitora com as câmeras onde está o prestador", descreve Denise.

Resistência às regras

Outro modelo usado é o alarme perimetral, que acusa se alguém invadiu o prédio. São sensores colocados nos muros. Denise ressalta que há ainda o monitoramento camuflado em urso de pelúcia e porta-retrato. O porteiro chefe José Nunes comenta que a maior dificuldade é controlar o acesso de pessoas estranhas: "Um delegado já apontou a arma pra mim porque pedi para se identificar. Isso também ocorre com oficiais de Justiça. Estou na profissão há 20 anos e sigo as instruções de segurança que recebo nos treinamentos. Todos devem colaborar para ter um prédio seguro".

Jornal O Dia